A perseguição aos garis

Um dos símbolos da competência certamente é o gari. Lembro-me de, na minha infância, minha mãe sempre elogiar o trabalho daqueles que, faça chuva ou sol, estão sempre lá, com dia e hora marcada, recolhendo o lixo da sociedade, ajudando a deixar nossas cidades mais belas. Em dezembro, era comum minha mãe gratificá-los, com o famoso “guaraná” – uma gorjeta – por todo o serviço prestado durante o ano.

Penso que, em um país tão rico como o nosso e que produz tanto lixo, os garis mereçam gratificações maiores do que seus atuais salários – cerca de R$ 1200, no Rio de Janeiro, por exemplo.

Porém, esses trabalhadores pertecem a uma categoria que sofre com o preconceito social. O apresentador de televisão Boris Casoy, em 2009, foi flagrado, em rede nacional, referindo-se a dois garis como pertencentes ao mais baixo nível da escala do trabalho. Felizmente, a justiça o condenou a pagar indenização de R$ 21 mil a um dos trabalhadores.

No Rio de Janeiro, os garis são concursados. Fiquei surpreso e revoltado ao saber da decisão da Prefeitura do Rio de demitir aqueles que fizeram greve de 3 dias. Essa medida revela uma intolerância com esses profissionais que, inteligentemente – aproveitando a bagunça e falta de educação no Carnaval – , acharam uma forma de protestar contra a exploração a que são submetidos.

Estou com os garis. E a culpa do lixo não é deles. Quando trabalham, se esforçam para manter tudo em ordem. Ao mesmo tempo, assistimos a inúmeras pessoas jogarem papel no chão, atirarem latas de bebidas pelas janelas dos carros, despejarem entulhos em terrenos baldios.

Parabéns ao movimento grevista. Expõe um lado podre da sociedade. E meu repúdio à perseguição oficial e velada aos garis. Em um país que é assaltado constantemente pela corrupção, lutar por um aumento salarial de um trabalho digno e essencial é mais do que coerente. É uma questão de combater a injustiça.

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